terça-feira, 6 de abril de 2010

O território da Manchúria é ocupado

Em princípios de 1931, os dirigentes militares japoneses propiciaram a adoção de uma política forte na Manchúria, a fim de impedir a crescente influência do governo nacionalista chinês de Chiang Kai-shek sobre o referido território. A Manchúria era governada por um ditador local, o Marechal Chang Hsueh-Liang, que se declarara partidário entusiasta da política de reconstrução nacional posta em prática por Chiang Kai-shek. Portanto, para os militares japoneses seria necessário atuar rapidamente, a fim de frustrar a referida política.

Um incidente serviu de pretexto para desencadear a agressão. Na noite de 18 de setembro de 1931 uma bomba explodiu na linha ferroviária japonesa, que corre entre Port Arthur e a cidade de Mukdem, capital da Manchúria. Imediatamente, as forças japonesas encarregadas da custódia da ferrovia lançaram-se ao ataque e ocuparam as principais cidades ao sul da Manchúria. Sem esperar ordens do governo de Tóquio, o General Hayashi, chefe dos exércitos japoneses na Coréia, cruzou a fronteira e converteu o incidente em conflito de grande escala.

Sem demora, o governo chinês apelou para a Liga das Nações, porém esta limitou-se a pedir aos contendores a cessação da luta e enviou uma comissão para investigar. A China declarou o boicote na importação de mercadorias japonesas, medida que não tardou a provocar reação armada dos japoneses. Em 28 de janeiro de 1932, uma força naval comandada pelo Almirante Shirosawa desembarcou no porto de Xangai tropas de infantaria da marinha que atacaram a vizinha cidade de Chapei. Começou, assim, encarniçada e sangrenta luta em torno de Xangai, que se prolongou até o fim do mês de março. Finalmente, por mediação da Inglaterra, os japoneses foram induzidos ao armistício e reembarcaram suas tropas. Enquanto isso, na Manchúria, os japoneses apoderaram-se da cidade de Chinchow, onde o Marechal Chang Hsueh Ling instalara a sede de seu governo, depois da ocupação de Mukden. A submissão da Manchúria ficou, assim, praticamente assegurada. Em 18 de fevereiro de 1932, os japoneses proclamaram a independência da Manchúria e mais tarde a denominaram Manchukuo e a convertem num estado títere, governado pelo imperador Pu Yi, último monarca da China.

O êxito da agressão japonesa na Manchúria provocou uma crise na ordem internacional instaurada ao término da Primeira Guerra Mundial pela paz de Versalhes. A Liga das Nações, depois de longas discussões, resolveu exigir do Japão a evacuação do território manchu e negou-se a reconhecer o Estado de Manchukuo; todavia, não assumiu nenhuma medida prática para garantir o cumprimento dessas resoluções. Dessa maneira, o Japão abandonou a Liga das Nações em março de 1933 e prosseguiu sem mudar sua política agressiva. Este precedente não demoraria a ser imitado por Hitler e Mussolini.

Em 1948,a Manchúria passou a fazer parte da República Popular da China e, em 1955, a China recebeu também as cidades de Port Arthur e Dairen, bem como o controlo do Transiberiano. A Manchúria acabaria por se tornar uma das principais zonas industrializadas do país.


Bibliografia
http://adluna.sites.uol.com.br/400/419.htm
http://www.infopedia.pt/$manchuria

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