A década de 1910 foi um período marcado por grandes fatos históricos tanto no extremo oriente como no âmbito mundial. Nesse período o cometa Halley fez sua aparição (1910), houve a revolução chinesa (1911), a Mona Lisa foi roubada (1911), o Titanic afundou (1912), a Primeira Guerra Mundial começou e terminou (1914-1918), houve a revolução Russa (1917), a pandemia da gripe espanhola (1918), a assinatura do tratado de Versalhes (1919), entre outros acontecimentos.
Já em 1910 as coisas começam a esquentar no extremo oriente quando o Japão anexa a Coréia a seu território após uma guerra prolongada em que derrota chineses e russos. A dominação japonesa é marcada pela brutalidade, com esforços para suprimir a língua e a cultura coreana. Nessa época, o Japão também dominava Taiwan, país que lhe havia sido cedido desde 1895 pelos Chineses após a derrota na Primeira Guerra Sino-Japonesa.
Em 1919, a China se encontrava entrecortada por regiões dominadas pelas grandes nações imperialistas e o povo chinês estava totalmente submisso a essas nações. Para se ter uma idéia, nas praças públicas das cidades chinesas, os ocidentais colocavam cartazes onde se lia: “É proibida a entrada de cães e de chineses no jardim”. Além disso, as nações imperialistas contavam com o apoio do imperador chinês da dinastia Manchu, que dominavam o país desde o século XVII.
Devido a essa atmosfera marcada por privilégios e humilhações muitos chineses se organizaram e começaram a defender um movimento de natureza nacionalista que culminou na revolução chinesa. Os Boxers, membros de uma sociedade secreta que praticava o boxe sagrado, iniciaram essa revolta nacional contra os estrangeiros, mas acabaram massacrados pelos exércitos das potências ocidentais que haviam se unido contra eles. Os Boxers foram vencidos porém, a semente estava lançada. Aos poucos as camadas populares foram se engajando na luta pela democracia. Finalmente em 1911, o antigo império chinês desabou. A revolta que pôs fim à monarquia chinesa foi liderada por Sun Yat-sen , nomeado então presidente da República recém-proclamada. Sun Yat-sen, juntou-se com seus seguidores e fundou o Kuomintag , Partido Nacional do Povo.
Mesmo com essa conquista e o enfraquecimento dos imperialistas após a Primeira Guerra Mundial, a China continuava não resistindo ao interesse dos estrangeiros, principalmente dos japoneses e britânicos. Com isso, os membros do Kuomintang tiveram de enfrentar a insatisfação dos chefes militares e do Partido Comunista Chinês, então criado sob a influência da Revolução Russa.
Hong Kong, nessa época, serviu de refúgio político para muitas pessoas que se opuseram a instalação do novo regime. Após a afirmação do nacionalismo chinês a relação entre esses dois países mostrou-se hostil.
A revolução chinesa trouxe conseqüências, também, para a Mongólia. Esse país estava sobre poderio da China desde a dinastia Yuan – uma linhagem de imperadores Mongóis que comandaram a China – pois quando os Yuan foram depostos pelos Ming, em 1268, a Mongólia não obteve sua independência e seu território permaneceu controlado pelos chineses até a revolução supracitada.
Com o desenvolvimento do capitalismo nos principais países acidentais, deu-se a competição na busca de matérias primas e na conquista de mercados internacionais, para a colocação de seus produtos. Naquela ocasião, destacou-se a Alemanha que, embora tivesse alcançado o seu desenvolvimento industrial após as outras nações poderosas, avançou também na conquista de mercados, cujo dinamismo logo veio causar conflitos com a Inglaterra e a Rússia. Estas duas potências, perante aquela situação, procuraram convidar também a França para firmar um contrato de comércio e fazer frente à Alemanha. Também esta não perdeu tempo e se aliou com a Áustria e a Itália para resistir à pressão dos adversários. A rivalidade entre aqueles países veio motivar conflitos dos Bálcãs e, em 1914 fez explodir a Primeira Guerra Mundial. Como o Japão tinha, naquela ocasião, um contrato assinado com a Inglaterra, também foi obrigado a participar da guerra contra os germanos e seus aliados e, naquela manobra, conquistou as concessões orientais da Alemanha.
O Japão que vinha há muitos anos, criando choques com a China, acabou por fim, durante a Primeira Grande Guerra, impondo algumas condições ao seu vizinho para o explorar.
O século XX descortinou-se com as divergências dos países imperialistas. Essas divergências tornaram-se mais graves, com a formação de duas potências rivais: de um lado, a Inglaterra, a França e a Rússia, que se uniram por intermédio de um tratado comercial e, de outro, a Alemanha, a Áustria e a Itália, unidas mediante uma aliança.
Em breve, as potências se envolveram nos problemas do povo eslavo, aumentando a tensão política da Europa. Essas rivalidades terminaram levando o mundo a uma guerra catastrófica, em 1914, iniciada com o assassinato do príncipe austríaco.
Com o desenvolvimento do parque industrial, a produção apresentou, sem demora, um aumento inesperado. O progresso verificou-se principalmente nas indústrias têxteis, nas indústrias pesadas e na metalúrgica. Com base nessas indústrias e com o desenvolvimento da marinha mercante, expandiu-se também a da construção naval e a indústria automobilística. Evidentemente, esse progresso trouxe também maior exploração de energia elétrica.
O Japão, sob o pretexto da existência de uma aliança com a Inglaterra, entrou também na guerra a favor dos Aliados. Com isso, o Império nipônico ocupou a concessão germânica da China, Chin-Tao e, com sua força naval, tomou as ilhas Marshall e Carolinas, na Oceania, antes pertencentes à Alemanha. A esquadra japonesa chegou a avançar até o Oceano indico e o Mar Mediterrâneo. Desta forma, enquanto os europeus e americanos travavam lutas desesperadoras, o Japão conseguiu expandir-se na Ásia e Oceania.
A vitória sobre a China e a Rússia, nas batalhas do período de.Meiji demonstrou que o Japão havia se transformado num pais eminentemente imperialista. Esse desejo de expansão territorial era fruto de uma necessidade criada pelo sistema capitalista nipônico, que havia entrado na segunda fase do seu desenvolvimento: a do monopólio.
Após essa vitória, o plano político de expansão territorial ganhou impulso e entusiasmo, graças à iniciativa militar. Dessa maneira, a política exterior japonesa passou a ser mais agressiva e acabou por tomar um caráter todo especial.
O setor econômico do Japão estava, nos fins do período de Meiji e no inicio da era Taisho, numa situação de estagnação e apresentava visíveis sintomas de declínio, principalmente em 1913, pois o país se achava em crise. Todavia, estourou a Primeira Guerra Mundial. Esta livrou o capitalismo nipônico de uma crise arrasadora. O Japão participou da guerra e, sem sofrer qualquer dano considerável, lucrou e equilibrou-se economicamente, consolidando a base do capitalismo que, até então, se achava instável. A procura de produtos japoneses pelos países que estavam participando diretamente da guerra era grande e trouxe progresso para as indústrias e incrementou a exportação.
Outro fator que impulsionou o desenvolvimento industrial foi que alguns produtos, de que o Japão necessitava e, que eram importados, como os produtos químico-industriais, passaram a ser fabricados lá mesmo, pois as nações fornecedoras estavam por demais preocupadas com a guerra.
A Primeira Guerra Mundial trouxe para a economia do Japão um progresso inédito e elevou o país ao plano internacional. Porém, terminada a guerra, nova crise veio ameaçar o capitalismo nipônico, embora este já estivesse bem consolidado.
Além do parque industrial, também a navegação mercantil foi diretamente atingida pela crise de 1918, porque não havia necessidade de transporte, pois os produtos industriais não mais eram procurados pelos outros países. Conseqüentemente, os produtos sofreram uma queda brusca nos preços e, ao mesmo tempo, a Bolsa de Valores ficou em situação difícil. O pânico sacudiu a nação que, até então, se deliciava com os lucros vultosos pro vindos da hostilidade européia. Mas, como por milagre, o pânico foi logo amenizado, graças às rotas de exportação abertas durante a guerra e à evolução do capitalismo, que soube encontrar uma saída para aquele impasse.
Os conhecidos “motins do arroz”, que marcaram época na história da manifestação popular do Japão, aconteceram durante essa crise, O incidente foi motivado pela alta brusca do preço do arroz, gênero alimentício de primeira necessidade para o povo japonês. Primeiramente, um grupo de donas de casa, familiares de humildes pescadores da província de Toyama, manifestaram-se em motim contra aquela carestia imprevista e o desvio do produto para uma outra região. A noticia dessa rebelião foi logo espalhada e serviu de exemplo, pois criou uma revolta do povo em todo o território. A massa, delirante com a força da opinião pública, começou a atacar os armazéns e depósitos e a saquear o arroz, precioso alimento, que estava sendo colocado longe do alcance de muitos. Aquele conflito obrigou à mobilização do exército, que logo restabeleceu a ordem no país, mas, o acontecimento foi fatal para o Gabinete de Terauchi, que foi obrigado a dissolvê-lo e a entregar a administração do país a outros.
Aquele incidente que foi motivado por um simples protesto de um grupo de donas de casa acabou repercutindo como uma manifestação geral do povo. Tornou-se um acontecimento importante porque o caso veio estimular, com o reconhecimento da força da opinião pública, os movimentos de sindicatos de trabalhadores e, ao mesmo tempo, despertar o interesse geral pela crítica contra um governo incapaz de dirigir a nação e zelar pelo conforto do povo.
Bibliografia
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http://historia3ano.blogspot.com/2008/04/15-esquema-de-aula-nova-ordem.html
http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/primeira-guerra-mundial/primeira-guerra-mundial-2.php