quarta-feira, 16 de junho de 2010

Considerações Finais

Nosso objetivo nesse blog era falar da história dos países que compõe o Extremo Oriente – Japão, China, Taiwan, Coréia do Norte, Coréia do Sul, Hong Kong, Macau e Mongólia – durante todo o século XX até os dias atuais.

Alguns países como China, Japão e Coréia foram mais abordados devido a sua importância no cenário internacional e aos eventos históricos marcantes que lá aconteceram. Além disso, podemos explicar a história de países como Macau e Hong Kong através a história da China, por exemplo, uma vez que este país se faz muito presente naqueles.

O blog, para o nosso grupo, foi de grande aprendizado, pois tivemos a chance de pesquisar e nos aprofundarmos mais em eventos históricos que não são abordados profundamente nas salas de aula, uma vez que a história da nossa humanidade é narrada, principalmente, a partir do ponto de vista dos acontecimentos da Europa, mais especificamente Europa Ocidental.

Porém no extremo oriente encontramos várias curiosidades como os dois, dos poucos países remanescentes do sistema socialista: China e Coréia do Norte. Além disso, encontramos o país mais populoso do mundo, a China, com aproximadamente 1,3 bilhões de habitantes que, assim como o Japão, possui uma cultura milenar e muito diferente da nossa.

As tensões, entre muitos desses países da Asia oriental ainda são muito forte, com é o caso da Coréia do Norte e Coréia do Sul, a China e Taiwan, etc. Em suma, estudar o extremo oriente foi, antes de tudo, um prazer e uma forma de ver os eventos históricos mundiais, como a Segunda Guerra Mundial, por outro ângulo.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Desvendando a China além das Muralhas: 1949 até os dias atuais

Vitorioso em 1949, o Partido Comunista Chinês, aproximou-se da União Soviética, assinando o Tratado de Amizade, Aliança e Ajuda com o presidente Stálin. No plano interno, o novo governo adotou medidas drásticas, como a nacionalização das indústrias e a reforma agrária, para enfrentar as dificuldades econômicas, que ressurgiram com a Guerra da Coréia (1950). O primeiro plano qüinqüenal, anunciado em 1935 por Chou En-lai, propunha uma nova linha geral de transição para o socialismo, priorizando a indústria pesada. Em 1955, a coletivização da agricultura acelerou-se com a organização de um milhão de cooperativas. Atingia-se, assim, o fim do capitalismo, implantando-se as três transformações socialistas básicas: expropriação da burguesia industrial, expropriação do comércio urbano e instalação do movimento cooperativo no campo.

Com as reformas, apesar de a produtividade industrial ter crescido 400% entre 1949 e 59, os salários só aumentaram 52%. Mao Tse-tung, aos primeiros sintomas de que o desenvolvimento socialista estava aquém das exigências sociais e ameaçando o governo do Partido Comunista, proclamou uma liberalização interna. É de maio de 1956 sua frase: “que cem flores desabrochem, que cem escolas de pensamento rivalizem entre si”.

As críticas contra o governo cresceram, e o Movimento das Cem Flores se intensificou, levando o governo a
reagir com uma grande campanha antidireitista que levou milhares de pessoas à prisão. Mao justificou-se dizendo que a Campanha das Cem Flores objetivava “fazer as serpentes saírem de suas tocas”.

Iniciado como um processo de democratização, o Movimento das Cem Flores acabou reforçando o poder do Partido Comunista Chinês, que, em agosto de 1957, decidiu-se pelo programa de reformas chamado Grande Salto para a Frente. Esta, ao deslocar subsídios econômicos para a agricultura, confirmava o predomínio da base camponesa do socialismo chinês.

A mobilização da população foi geral, e até intelectuais e estudantes foram conclamados para trabalhar no campo. Entretanto, mesmo com um crescimento de 65% da produção rural, as dificuldades obrigaram correções de rumo. Na verdade, o projeto Grande Salto teve resultado limitados, uma vez que as relações sino soviéticas tornaram-se mais difíceis, intensificando a oposição interna ao PCC e as dissidências.

Em fins de 1976, Hua Kuofeng assumiu o governo chinês, imprimindo uma linha política de centro, tornando os partidários de Chiang Ching extrema esquerda e o grupo de Deng Xiaoping, direita. Em 1977 ocorre a reabilitação de Deng e, a à medida que se deu sua ascenção no PCC, o grupo de Chiang Ching foi marginalizado, culminando com sua prisão e julgamento em 1981.

Enquanto Chiang era condenada como responsável pelos excessos da Revolução Cultural, Deng Xiaoping, agora líder do governo chinês, iniciava o período de desmaoização do país, afastando seus adeptos do governo. A imagem de Mao perdera totalmente a força.

A prioridade do governo Deng era a modernização da agricultura, da indústria, da defesa e das áreas de conhecimento, isto é, as quatro modernizações. Essas medidas atraíram para a China uma imensa onda de investimentos externos, fazendo com que o país intensificasse o início da reversão agrária da época de Mao, passando na década de 1980 a ter uma população rural abaixo de 80%. Entre 1980 e 1995 a China atraiu muitos investimentos estrangeiros, chegando a superar 170 bilhões de dólares.

No final de 1995, enquanto a China apresentava uma população próxima de 1,2 bilhão de habitantes, o seu PIB alcançava os 2,8 bilhões de dólares, consolidando um crescimento econômico superior aos 10% anuais. Da mesma forma, as reservas de divisas do país alcançavam um volume recorde de 58 bilhões de dólares em 1995, confirmando o desempenho exportador.

Mesmo atraindo a atenção mundial para o seu progresso, nem tudo era estabilidade. A disparidade do desenvolvimento entre as províncias acrescia-se à inflação chinesa decorrente dos subsídios às empresas estatais, dominando a metade da economia e sugando quase 40% dos recursos do governo. O crescimento da inflação bateu os 25% em 1994 e, em meio às medidas saneadoras, buscava-se um decréscimo a ser alcançado nos anos seguintes. Somando-se às dificuldades financeiras, a ineficiência burocrática era acompanhada de corrupção e desperdícios, tornando-se o inimigo principal, oficialmente declarado pelo governo, à necessária estabilidade exigida para o desenvolvimento.

Por outro lado, ficavam duas incógnitas para a continuidade do desenvolvimento chinês: em primeiro lugar, a sucessão de Deng Xiaoping por novas lideranças, afinadas ou não com a continuidade da integração ao capitalismo globalizado; em segundo lugar, a inerente contradição entre a abertura econômica sem a correspondente abertura política, juntando-se aos efeitos de uma economia de mercado, que, mesmo socialista, ampliava as desigualdades sociais.

Confirmando tal tendência, as pressões pela liberação política na China foram bastante expressivas na década de 80, atingindo seu ápice em abril de 1989 com a ocupação da praça da Paz Celestial, em Pequim. Como um novo “assalto ao céu” (busca do paraíso socialista), exigia-se liberdade de manifestação e de imprensa, num movimento liderado por estudantes. Entretanto o governo sufocou o movimento à força.

Nos anos 90, a China ampliou sua remodelação econômica iniciada no governo Deng Xiaoping, mas manteve sem alteração sua estrutura política, ou seja, a condição de “uma perestroika sem glasnost”, fortalecendo a incógnita do rumo histórico chinês para o final do século XX e início do XXI.

Graças à abertura a uma política de mercado de base socialista, a China é hoje a segunda potência comercial do mundo. A China apresenta hoje os mais respeitáveis índices de desenvolvimento tecnológico, educacional, industrial e comercial.

Pais de dimensões continentais e uma população superior a 1 bilhão e 300 mil habitantes com cultura milenar, constitui um mercado potencial para gerar grandes negócios, para onde hoje estão se voltando os interesses de grandes investidores do mercado mundial.

Para além das contribuições culturais outras quatro grandes invenções chinesas na área da tecnologia marcaram profundamente a história mundial:

  1. Bússola

  2. Impressão

  3. Papel

  4. Pólvora

Algumas outras importantes invenções chinesas:


  1. Ábaco oriental

  2. Estribo

  3. Besta (arma)

  4. Leme (navegação)

  5. Guarda-chuva

  6. Molinete de pesca    

Outras áreas científicas onde os chineses se distinguiram:



  • A astrologia chinesa e as suas constelações eram usadas com fins divinatórios.

  • Aplicaram conceitos matemáticos na arquitectura e na geografia. O π foi calculado por Zu Chongzhi até ao sétimo dígito no século V.

  • A alquimia é identificada com a química Taoísta, com bases diversas da química atual.

  • Foram levados a cabo estudos de biologia extensivos e muito pormenorizados, que, ainda hoje são procurados e consultados, como as farmacopeias, género de catálogo de plantas medicinais.

  • A medicina tradicional e a cirurgia foram, durante muito tempo, avançadas, havendo ainda hoje, muitos adeptos destas práticas médicas. Um exemplo conhecido é o da acupunctura. As autópsias eram consideradas sacrilégio. No entanto, houve quem violasse tal tabu, o que permitiu um mais vasto conhecimento sobre a anatomia interna humana.
Mas voltando para a questão econômica, a China possui atualmente uma das economias que mais crescem no mundo. A média de crescimento econômico deste país, nos últimos anos é de quase 10%. Uma taxa superior a das maiores economias mundiais, inclusive a do Brasil. O Produto Interno Bruto (PIB) da China atingiu 2,2 trilhões de dólares em 2006, fazendo deste país a quarta maior economia do mundo. Estas cifras apontam que a economia chinesa representa atualmente 13% da economia mundial.

Os principais dados e características da economia chinesa:


  •  Entrada da China, principalmente a partir da década de 1990, na economia de mercado, ajustando-se ao mundo globalizado;

  • A China é o maior produtor mundial de alimentos: 500 milhões de suínos, 450 milhões de toneladas de grãos;

  • É o maior produtor mundial de milho e arroz;

  • Agricultura mecanizada, gerando excelentes resultados de produtividade;

  • Aumento nos investimentos na área de educação, principalmente técnica;

  • Investimentos em infra-estrutura com a construção de rodovias, ferrovias, aeroportos e prédios públicos. Construção da hidrelétrica de Três Gargantas, a maior do mundo, gerando energia para as indústrias e habitantes;

  • Investimentos nas áreas de mineração, principalmente de minério de ferro, carvão mineral e petróleo;

  •  Controle governamental dos salários e regras trabalhistas. Com estas medidas as empresas chinesas tem um custo reduzido com mão-de-obra (os salários são baixos), fazendo dos produtos chineses os mais baratos do mundo. Este fator explica, em parte, os altos índices de exportação deste país.

  • Abertura da economia para a entrada do capital internacional. Muitas empresas multinacionais, também conhecidas como transnacionais, instalaram e continuam instalando filiais neste país, buscando baixos custos de produção, mão-de-obra abundante e mercado consumidor amplo.

  • Incentivos governamentais e investimentos na produção de tecnologia.

  • Participação no bloco econômico APEC (Asian Pacific Economic Cooperation), junto com Japão, Austrália, Rússia, Estados Unidos, Canadá, Chile e outros países;

  • A China é um dos maiores importadores mundiais de matéria-prima.

Embora apresente todos estes dados de crescimento econômico, a China enfrenta algumas dificuldades. Grande parte da população ainda vive em situação de pobreza, principalmente no campo. A utilização em larga escala de combustíveis fósseis (carvão mineral e petróleo) tem gerado um grande nível de poluição do ar. Os rios também têm sido vítimas deste crescimento econômico, apresentando altos índices de poluição. Os salários, controlados pelo governo, coloca os operários chineses entre os que recebem uma das menores remunerações do mundo. Mesmo assim, o crescimento chinês apresenta um ritmo alucinante, podendo transformar este país, nas próximas décadas, na maior economia do mundo.


Fonte:
http://www.grupoescolar.com/materia/a_china_hoje.html

O Japão desde a Guerra Fria aos anos 90: economia em ascenção

Com a Guerra Fria (1945 a 1991), os EUA posicionaram mais tropas no Japão – além das que já estavam após a Segunda Guerra Mundial - e estimulam a perseguição aos comunistas e a criação de forças para autodefesa. Essas idéias foram bem-vindas pelos conservadores, mas causaram protestos e insatisfação das classes populares, dos comunistas e socialistas.

Em 1969 os americanos abandonam cerca 50 bases militares lá instaladas, devolvendo Okinawa – província ao sul do Japão - três anos mais tarde. Paralelamente aos esforços de fortalecer a economia, a diplomacia japonesa também se orientou. O Japão foi admitido à ONU em 1956, e em 1960 renova tratados com os EUA. No mesmo ano as reparações aos países vizinhos são todas pagas.

O Japão, que perdera a chance de organizar a Olimpíada de 1940, cancelada por causa da Guerra, tive finalmente a oportunidade de abrigar os Jogos Olímpicos em 1964. E para isso os japoneses, que já despontavam como potência econômica, não pouparam recursos e gastaram bilhões de dólares na Olimpíada. Como de esperado a organização esteve perfeita. Os japoneses também tiveram grande performance nos esportes, porém a decepção foi enorme quando um dos seus maiores ídolos, Akio Kaminaga do judô, foi derrotado pelo holandês Anton Geesink na categoria absoluto.


Os destaques da Olimpíada

Nas piscinas, o americano Don Schollander conquistou 4 medalhas de ouro, fato inédito até então, nos 100m e 400m nado livre e revezamentos 4x100m e 4x200m livre. Na pistas de atletismo o neozelandês Peter Snell venceu nos 800m e 1.500m. Já Abebe Bikila,dominou a maratona e venceu com o recorde mundial de 2:12:11.

Curiosidades da Olimpíada

O nadador americano Dick Roth foi internado com apendicite na véspera de disputar a sua prova dos 400 metros medley. Apesar da insistência dos médicos, o americano recusou-se a submeter-se à operação. Assinou um termo de responsabilidade, nadou os 400 metros medley e conquistou a medalha de ouro! Saiu da piscina direto para a mesa de operação.

Resumo da Olimpíada:

Nações participantes: 93

Atletas: 5.140 (4.457 homens, 683 mulheres)

Esportes: 20

Classificação:

Primeiro lugar URSS
Segundo lugar EUA
Terceiro Lugar Alemanha
Quarto lugar Japão
Quinto Itália
Sexto Polônia
Sétimo Hungria
Oitavo Austrália
Nono Grã-Bretanha
Décimo Tchecoslováquia



Em 1965 o Japão, estabelece relações formais com a Coréia. As desgastadas relações diplomáticas com a China são normalizadas em 1972. A partir de 1975, o país passa a integrar as conferências anuais com os sete países mais industrializados do planeta.

Em 1973 a crise do óleo abala a economia japonesa, que sofre um afrouxamento na expansão econômica e uma crise monetária. O primeiro ministro Kakuei Tanaka declara então "estado de urgência" para combater a crise. A reação da economia, tão dependente do óleo, foi o fortalecimento das indústrias de alta tecnologia.

A recuperação diplomática e econômica do país foi bastante auxiliada pela dominação no parlamento do conservador Partido Liberal Democrático (PLD), que dura até hoje.

A partir do começo da década de 90 o Japão firma-se como a segunda maior potência econômica mundial, acumulando saldos gigantescos no comércio exterior, principalmente nas relações comerciais com os Estados Unidos.


FONTES:
http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/historia-do-japao/japao-pos-guerra.php
http://www.copacabanarunners.net/toquio1964.html

domingo, 16 de maio de 2010

Crise de Taiwan

Em abril de 1949, após longos anos de guerra civil, as forças do Partido Comunista Chinês (PCC) conseguiram tomar o poder do governo nacionalista e em outubro proclamaram a RPC. Quando o governo do Kuomintang (KMT ou Partido Nacionalista) foi derrotado em 1949, era presidido pelo general Chiang Kai-shek, dirigente máximo da RC1, fundada em 1912. Com a vitória dos comunistas, Chiang e seus apoiadores refugiaram-se na ilha de Taiwan e lá instalaram a RC, de onde pretendiam, um dia, retomar o controle da China continental. A ilha de Taiwan era uma antiga possessão chinesa, perdida para o Japão em 1895, mas reconquistada em outubro de 1945 pelas forças do general nacionalista Chen Yi (Bush, 2005)

Por meio do Tratado de São Francisco, assinado em 1951, o Japão abriu mão de sua soberania sobre Taiwan e ilhas Penghu. É importante destacar que no tratado o Japão apenas abdicou de sua soberania sobre as referidas ilhas, ou seja, ele não as cedeu, especificamente, para a RC ou para a RPC. No Tratado de Paz entre a RC e o Japão, firmado em 1952, a questão da soberania é novamente deixada de lado, pois, no documento, consta apenas que o Japão abriu mão de Taiwan e ilhas Penghu no Tratado de São Francisco (Bush, 2004: 92-94).

Entre 1949 e 1978, o governo norte-americano manteve relações oficiais com a RC, instalada em Taiwan, pois a considerava o legítimo governo da China. No entanto, a partir do início dos anos 70, a RPC passou a ser vista pela Casa Branca como um contrapeso significativo na luta contra a União Soviética.

Por essa razão, em julho de 1971, o Conselheiro de Segurança Nacional Henry Kissinger realizou uma viagem secreta à China, no intuito de negociar os termos da reaproximação entre Washington e Pequim. Em outubro, Kissinger fez sua primeira viagem pública à China. No mesmo mês, a RC abandonou seu assento na Organização das Nações Unidas (ONU), uma vez que a Assembléia Geral iria aprovar o ingresso da RPC na organização – apesar de tal medida requerer uma maioria de dois terços. Esse desfecho resultou tanto da nova política de Nixon e Kissinger para Pequim, quanto da atração política e ideológica exercida pela RPC no início dos anos 70, o que possibilitou a cooptação de uma imensa parcela da Assembléia Geral (Bush, 2004: 114-117).

Em fevereiro de 1972, Washington e Pequim divulgaram um importante comunicado conjunto. Neste comunicado, a Casa Branca declarou o abandono de sua política de “uma China, uma Taiwan”, ou “duas Chinas”, que vigorou de 1949 até então, e anunciou a adoção da política de “uma China”, postulada tanto pela RPC quanto pela RC. Assim, o governo norteamericano afirmou que: “Os Estados Unidos reconhecem que todos os chineses, nos dois lados do Estreito de Taiwan, sustentam que há somente uma China e que Taiwan é parte da China. O governo dos Estados Unidos não desafia esta posição” (U.S – PRC, 1972). Ainda no comunicado de 1972, os Estados Unidos afirmaram que a resolução da questão de Taiwan deveria ser pacífica e negociada, ou seja, sem alterações unilaterais no statu quo. A RPC, por sua vez, declarou que: “Taiwan é uma província da China [...] e a libertação de Taiwan é um assunto interno da China, no qual nenhum outro país tem o direito de intervir” (U.S – PRC, 1972).

No início de janeiro de 1979, Washington e Pequim divulgaram um segundo comunicado conjunto, no qual os Estados Unidos reconheceram a RPC como a única e legítima governante da China. Por intermédio desse comunicado, o governo norte-americano obteve a normalização de suas relações políticas e diplomáticas com Pequim, rompidas em 1949. A Casa Branca ainda afirmou que: “O governo dos Estados Unidos da América reconhece a posição chinesa de que há somente uma China e de que Taiwan é uma parte da China” (U.S – PRC, 1979). No comunicado de 1979, a China apenas reiterou seu compromisso com o que fora acordado em 1972. O restabelecimento das relações entre Estados Unidos e RPC implicou a ruptura das relações oficiais entre Washington e Taipé, obrigando o governo norte-americano a manter apenas representação não-oficial na RC.

Três meses após a divulgação do segundo comunicado, o Congresso norte-americano aprovou o Taiwan Relations Act (TRA), com o qual Washington comprometeu-se a fornecer artigos de defesa para Taipé. Além disso, implicitamente, o TRA sugere que os Estados Unidos comprometeramse a impedir qualquer tentativa chinesa de reintegrar Taiwan pela força. Deste modo, o Congresso declarou no TRA que Washington irá

[...] considerar qualquer esforço para determinar o futuro de Taiwan por

meios não pacíficos, incluindo boicotes ou embargos, uma ameaça à paz

e à segurança do Pacífico Ocidental, de grave preocupação para os Estados

Unidos; prover Taiwan com armas de caráter defensivo; e manter a capacidade

dos Estados Unidos de resistir a qualquer recurso à força ou outras formas

de coerção, que possam pôr em risco a segurança ou o sistema econômicoou

social do povo em Taiwan (United States, 1979, section 2(b) 4, 5, 6).



O TRA é legislação nascida de uma proposta bipartidária do Congresso norte-americano, realizada no intuito de evitar que o compromisso dos Estados Unidos com a segurança de Taiwan dependesse apenas de um acordo executivo, uma vez que esta modalidade de avença não tem força de lei (Tucker, 2004: 50).

Após o fim das relações oficiais entre Estados Unidos e Taiwan, Washington denunciou o Tratado de Defesa Mútua (TDM) que havia firmado com Taipé em 1954. Nos artigos 2 e 7 do Tratado, percebe-se a extensão do compromisso que a Casa Branca possuía com a RC, pois consta que: as Partes separadamente e conjuntamente, por auto-ajuda ou ajuda mútua, manterão e desenvolverão suas capacidades coletivas e individuais de resistir a ataques armados e a atividades subversivas comunistas, dirigidas contra sua integridade territorial e sua estabilidade política. [...]. O Governo da República da China concede, e o Governo dos Estados Unidos da América aceita, o direito de dispor suas forças terrestres, aéreas e navais em Taiwan e Pescadores [...] (United States, 1954, articles 2, 7).

No dia 17 de agosto de 1982, Estados Unidos e China divulgaram um terceiro comunicado conjunto, abordando o tema da venda de armamentos norte-americanos a Taiwan. No comunicado, a Casa Branca declarou que forneceria apenas armamentos de caráter defensivo ao governo taiwanês. Washington também garantiu que as vendas seriam reduzidas com o passar dos anos, até o ponto de cessarem, mas advertiu que para isso Pequim deveria tomar medidas favoráveis à resolução pacífica da disputa com Taipé (U.S – PRC, 1982).

Entre 1949 e 1987, o presidente Chiang Kai-shek e seu filho, Chiang Ching-kuo, governaram Taiwan com um violento regime de exceção constitucional. Com o fim da lei marcial em 1987, teve início a abertura política da RC.10 Após a morte do presidente Chiang Ching-kuo em 1988, o vice-presidente, Lee Teng-hui, assumiu a chefia do governo. Lee conduziu Taiwan para uma nova fase de sua atuação internacional. Isto porque, no início dos anos noventa, o governo da ilha afastou-se da proposta chinesa de reunificação e começou a buscar o aumento de seu “espaço na comunidade internacional”. É nesse sentido que, em 1991, o governo taiwanês propôs a Pequim uma nova interpretação do princípio de “uma China”, segundo a qual, através do estreito, “há duas entidades políticas com jurisdições distintas, mas uma herança cultural comum”. Em sua busca por mais espaço político na comunidade internacional, Taiwan tentou ingressar na ONU. Para isso, o governo taiwanês iniciou em 1993 uma intensa campanha publicitária nos Estados Unidos e cooptou vários países do Sudeste Asiático, por meio da concessão de significativos empréstimos e diversos investimentos na região. Para Pequim, não restava dúvida de que Taipé rumava à independência (Swaine e Mulvenon, 2001).

Com o incidente na Praça Tiananmen, em junho de 1989, as relações entre Estados Unidos e China degradaram-se rapidamente, resultando em um embargo total de armamentos e tecnologias militares à China, imposto tanto pelo governo norte-americano quanto pela Comunidade Européia. Graças a Tiananmen e, sobretudo, à redução da importância estratégica de Pequim após o fim da União Soviética, a Casa Branca inclinou-se em favor de Taiwan. Essa postura tornou-se evidente em 1992, quando o presidente George H. Bush autorizou a venda de 150 aviões de caça (modelo F-16) a Taiwan. Tal atitude despertou a ira da liderança chinesa, a qual alegou que a venda dessas aeronaves descumpria o comunicado de 1982, pois não eram meros armamentos defensivos (Suettinger, 2003).

FONTE:

Parte do Artigo(retirado na integra): A CRISE NO ESTREITO DE TAIWAN (1995-1996) E AS RELAÇÕES ENTRE ESTADOS UNIDOS, CHINA E TAIWAN, escrito por Arthur Coelho Dornelles Jr. O artigo foi publicado na Revista Cena Internacional – Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (IREL) vol. 9, nº 1. Brasília: IREL, 2007.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Guerra da Coréia (1950-1953)

O término da Segunda Guerra Mundial fez com que o Japão perdesse, entre outras zonas de exploração, a Coréia. Esta passou a ser controlada pelo poderio militar e econômico dos norte-americanos e soviéticos. Na medida em que se desenvolvia a Guerra Fria, a presença destas duas nações em território coreano instalou a divisão política desse território.

Na porção setentrional, formou-se a República Democrática da Coréia do Norte, de orientação socialista e influenciada pelos ditames do regime socialista soviético. Na região sul, a orientação capitalista prevaleceu com a formação da República da Coréia do Sul. Divididos por uma linha situada no Paralelo 38º, esses dois países logo entraram em conflito, objetivando restabelecer a hegemonia dos territórios sob o comando de um único governo.

A primeira ação nesse sentido foi tomada pelos norte-coreanos, que inspirados pela vitória da revolução comunista de Mao Tsé-tung, resolveram tentar experiência semelhante em território coreano. Logo depois da primeira ofensiva militar que deu início ao conflito, as principais nações do mundo se reuniram em torno da Organização das Nações Unidas para discutir essa questão. O bloco capitalista, aproveitando a ausência soviética, não reconheceu a legitimidade deste conflito.

Os Estados Unidos, maiores interessados em dar fim ao conflito, enviaram um conjunto de tropas, com a bandeira da ONU, lideradas pelo general MacArthur. O propósito inicial da ofensiva norte-americana era expulsar os norte-coreanos e, logo em seguida, conquistar o restante da Coréia passando pelas fronteiras do território chinês. Inconformados com as pretensões norte-americanas, os chineses resolveram participar do conflito quando, em novembro de 1950, enviou tropas de apoio aos norte-coreanos.

A entrada dos chineses na guerra fez com que os esforços militares norte-americanos fossem intensificados. Ao longo de mais dois anos, o conflito chegou a um equilíbrio de forças que colocava em risco o interesse de ambos os lados. Dessa forma, os Estados Unidos resolveram possibilitar negociações diplomáticas que pudessem dar fim à Guerra da Coréia. Em 1953, a assinatura do Armistício de Pan-munjom encerrou os conflitos e restaurou a linha divisória no Paralelo 38º.

Entretanto, o fim da guerra não significou o fim das tensões entre a Coréia do Norte e o bloco capitalista. Ao longo do século XX, os norte-coreanos aproveitaram das discordâncias entre União Soviética e China para estabelecer um projeto de maior autonomia política. Com a queda do bloco socialista a Coréia do Norte enfrentou graves dificuldades econômicas. Entretanto, desenvolveu políticas eficientes nas áreas de educação e saúde.
A conseqüência da Guerra da Coréia foi como despejar gasolina sobre um incêndio pequeno. Ela confirmou todas as piores suspeitas ocidentais sobre as ambições expansionistas de Stálin e levou a um aumento enorme no orçamento de defesa americano, a que Truman resistira até aquele momento. Por que Stálim permitiu que a Coréia do Norte invadisse a Coréia do Sul? Khrutchev dá uma explicação em suas memórias: Kim II Sung, o líder coreano, pressionou Stálin quanto a oportunidade de unificar a península. Os Estados Unidos tinham dito que a Coréia estava fora do seu perímetro defensivo. Para Stálin, a Coréia parecia um ponto sensível. Mas quando a Coréia do Norte realmente invadiu a Coréia do Sul, Truman lembrou de Hitler invadindo a Renânia e recordou-se do axioma que se deve resistir à agressão em toda parte.

Nas últimas décadas, a Coréia do Norte desenvolveu um projeto de tecnologia nuclear com fins militares. Esta atitude preocupa as nações capitalistas e órgãos internacionais, que insistem em obter maiores informações sobre os objetivos da ação norte-coreana. Indiferentes às pressões exercidas, as autoridades daquele país reivindicam os princípios de soberania nacional para negar os pedidos vindos, principalmente, dos EUA. Com isso, há pouco tempo, o presidente George W. Bush resolveu incluir a Coréia do Norte entre os países que integram o chamado “Eixo do Mal”.


Fontes
NYE JR, Joseph S. Cooperação e conflitos nas Relações Internacionais. São Paulo: Editora Gente, 2009.
http://www.mundoeducacao.com.br/historiageral/guerra-coreia.htm

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Breve histórico da Mongólia



A Mongólia é um grande país no interior da Ásia, localizado entre a Sibéria, ao norte, e a China, ao sul. Uma imensa e escassamente povoada estepe, suas terras são divididas pelo deserto de Gobi em Mongólia Interior e Exterior. Durante o século XVII, os manchus passaram a controlar a Mongólia Interior e, posteriormente, a Mongólia Exterior.


A Mongólia permaneceu parte do Império Chinês até a queda da dinastia Qing, em 1911, apesar de a Rússia representar um grande desafio para a região nos últimos anos.

Enquanto a Mongólia Interior permanecia sob domínio dos chineses, a Mongólia Exterior tornou-se independente em 1911 e reafirmou-se após sofrer breves ocupações dos chineses e russos brancos em 1919 e 1921. A Mongólia Exterior tornou-se comunista em 1924 e manteve a política de aliança com a antiga União Soviética.

Em julho de 1990, A Mongólia tornou-se uma democracia multipartidária, mas o Partido Comunista, atual Partido Revolucionário do Povo da Mongólia, manteve o poder com Dashiyn Byambasuren após as eleições realizadas em 29 de julho de 1990.

O comércio com a antiga União Soviética declinou e o decorrente desenvolvimento de uma crise econômica desencadeou um racionamento de alimentos em janeiro de 1991. Neste mesmo ano, no mês de Novembro, começaram uma discussão a cerca de uma nova constituição que entrou em vigor em 12 de fevereiro.

Em 1992, o primeiro-ministro negociou com sucesso uma cooperação comercial com a Rússia. Uma nova constituição resultou em uma eleição geral, vencida novamente pelo Partido Revolucionário do Povo da Mongólia

Até hoje a Mongólia é um país nômade por excelência. Por mais que a capital, Ulan Bator, aglutine cada vez mais gente em blocos de apartamentos herdados de 75 anos de comunismo, metade dos 2,5 milhões de habitantes do país ainda vive da criação de animais e mora numa ger (lê-se "guér"), a tenda redonda tradicional, revestida de lã de camelo para proteger do frio do inverno. Fora as antenas parabólicas, cada vez mais comuns, as tendas continuam praticamente iguais às de 800 anos atrás, quando Gêngis Khan (por lá, Chinggis Khaan pronuncia-se "tchinguis ram") unificou os clãs espalhados pela região e iniciou a conquista do que viria a ser o mais extenso império territorial da história.


FONTE:

http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/imperio-mongol/historia-da-mongolia.php
http://www.worldlingo.com/ma/enwiki/en/History_of_modern_Mongolia

Breve histórico de Macau: de ex-colônia Portuguesa à área de influecia Chinesa

Da pequena península lançaram os portugueses o alicerce de um contínuo e proveitoso comércio, liderando durante cerca de um século (1543-1639) as ligações comerciais entre a China e o Japão, e deixando marcas civilizacionais da sua passagem. A Igreja Católica acompanhou os portugueses nas suas relações com o Oriente, tendo ficado a dever-se à ação dos jesuítas grande parte da difusão do catolicismo por esta parte do mundo, incluindo a China e o Japão. Foram aliás, os jesuítas os fundadores do Colégio de S. Paulo, verdadeiro centro de formação e irradiação católica na Ásia, um precioso legado ainda hoje testemunhado pela imponente presença da fachada da antiga Igreja de S. Paulo

Macau nunca foi uma colônia no sentido restrito do termo, sobretudo se comparada com as ex-colónias portuguesas. Logo, quando Portugal renunciou às colônias, na seqüência da revolução e da mudança de regime ocorrido em 25 de Abril de 1974, Macau foi menos afetado pelo movimento de descolonização. A política então iniciada pelo Governo de Lisboa levou, pela primeira vez em mais de quatro séculos, a uma definição do sistema político-administrativo de Macau. Uma primeira fórmula, politicamente viável, foi encontrada a 8 de Fevereiro de 1979, por ocasião da assinatura do tratado que restabelecia as relações diplomáticas entre Portugal e a China. A declaração então proferida em Paris referia explicitamente "o princípio do mútuo respeito pela soberania e integridade territorial", reconhecendo implicitamente Macau como território chinês sob administração portuguesa.

Já em 1974, logo após a Revolução, Portugal tinha aberto portas ao restabelecimento de relações diplomáticas com a China, com vista à resolução do sistema político de Macau, anunciando-se que Lisboa não tinha nenhuma intenção de manter a soberania sobre Macau contra a vontade das autoridades de Pequim. O processo culminou na assinatura, em Abril de 1987, da Declaração Conjunta Luso-Chinesa sobre a Questão de Macau, documento histórico que permitiu definir o enquadramento geral das grandes questões fundamentais para o futuro de Macau e das suas gentes.

Nos termos desse acordo, que tem força de direito internacional e está depositado nas Nações Unidas, o Território passou, em 20 de Dezembro de 1999, para a soberania da China, instituindo-se a Região Administrativa Especial de Macau, um espaço com elevado grau de autonomia, com órgãos de Governo e leis próprias, que se manterá inalterado durante os cinqüenta anos seguintes o sistema político, judicial, social, cultural e econômico atualmente em vigor, incluindo a manutenção do português como segunda língua oficial, salvaguardando um amplo quadro de direitos, liberdades e garantias de matriz portuguesa, humanista e ocidental.

FONTE:

http://www.uarte.mct.pt/activ/macau/cd-rom/histori2.htm

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Situação japonesa pós Segunda Guerra Mundial

Após o fim da Segunda Guerra Mundial, o Japão se encontrava em ruínas. Suas principais cidades, , as indústrias e as linhas de transporte foram severamente danificadas. As sobras da máquina de guerra japonesa foram destruídas. Cerca de 500 oficiais militares cometeram suicídio logo após a rendição incondicional, e centenas de outros foram executados por cometerem crimes de guerra.

O país perdeu todos os territórios conquistados desde 1894. As ilhas Ryukyu, incluindo Okinawa, foram controladas pelos Estados Unidos, enquanto que as ilhas Kurile, ao norte, foram ocupadas pela União Soviética. A escassez de suprimentos continuou ainda por vários anos. Afinal, a população havia crescido mais que 2,4 vezes em relação ao começo do período Meiji, contando com 85 milhões de pessoas.

O Japão permaneceu ocupado pelos Aliados por quase sete anos após a sua rendição. As autoridades de ocupação, lideradas pelos Estados Unidos, representados pelo general Mac Arthur, empreenderam diversas reformas políticas e sociais - entre essas estava à reforma agrária que modificaria toda a sua estrutura fundiária tradicional, mas que fracassou. - e proclamaram uma nova constituição em 1947, que negava ao estado o direito de reconstruir uma força militar e resolver impasses internacionais através da guerra. As mulheres ganharam o direito de votar e os trabalhadores, de se organizarem e fazerem greves.

Pela nova constituição, o imperador perde todo o seu poder político e militar, passando a ser considerado meramente um símbolo do estado. O sistema de aristocracia foi abolido e em seu lugar entrou em vigor uma espécie de monarquia constitucional sob o controle de um parlamento. O primeiro ministro, chefe do executivo, deveria ser escolhido pelos membros da Dieta.

As relações exteriores, completamente interrompidas durante o período de ocupação americana, só foram retomadas a partir de 1951. Nesse ano o Japão assina o Tratado de São Francisco, que lhe dá o direito de resolver seus assuntos estrangeiros e lhe devolve a soberania. Todavia, o veto à manutenção de um exército é mantido. Além disso, o Japão é obrigado a pagar indenizações aos países vizinhos agredidos por ele durante a guerra.

A economia japonesa estava em crise, uma vez que o país tinha sua capacidade produtiva focada principalmente na produção de navios. Ao ser impedido de produzir a única coisa que realmente estavam capacitados, o país entrou em colapso. Sua economia estava estagnada e não havia condição de evoluir. A reabilitação econômica do país torna-se uma das maiores preocupações do povo e dos líderes japoneses a partir desse ponto. Com o apoio dos Estados Unidos e de outros países, o Japão integra-se a várias organizações internacionais.

Só com a Guerra da Coréia (1950-1953), que será explicada mais adiante, o Japão tem a oportunidade de reconstruir sua economia nacional. Na década de 60, com o apoio dos acordos comerciais, o Japão torna-se uma das principais potências econômicas e políticas, suficientemente forte para competir com as maiores potências mundiais.


Fontes:




Conseqüências da Segunda Guerra no âmbito mundial

"Os prejuízos da Segunda Guerra Mundial foram enormes, principalmente para os países derrotados. Foram milhões de mortos e feridos, cidades destruídas, indústrias e zonas rurais arrasadas e dívidas incalculáveis. O racismo esteve presente e deixou uma ferida grave, principalmente na Alemanha, onde os nazistas mandaram para campos de concentração e mataram aproximadamente seis milhões de judeus.

Com o final do conflito, em 1945, foi criada a ONU ( Organização das Nações Unidas ), cujo objetivo principal seria a manutenção da paz entre as nações. Inicia-se também um período conhecido como Guerra Fria, colocando agora, em lados opostos, Estados Unidos e União Soviética. Uma disputa geopolítica entre o capitalismo norte-americano e o socialismo soviético, onde ambos países buscavam ampliar suas áreas de influência sem entrar em conflitos armados ."

Fonte:
http://www.suapesquisa.com/segundaguerra/

terça-feira, 13 de abril de 2010

Hiroshima e Nagasaki

No dia 6 de Agosto de 1945, ao final da Segunda Guerra Mundial, a cidade japonesa de Hiroshima foi desnecessariamente bombardeada pela força aérea americana. Três dias mais tarde segui-se o bombardeio de Nagasaki. Sua justificativa era forçar o rendição do Japão, porém, o que ficou evidenciado era que ambas faziam parte de uma verdadeira demonstração de força do armamento nuclear dos EUA.
As cidades foram escolhida por estarem situadas exatamente entre vales, o que facilitaria a avaliação dos danos causados pela nova tecnologia bélica, a qual nunca até então havia sido usada e nem se sabia quais seriam suas consequências. Soma-se a isso o fato de que essas cidades nunca sofreram ataques durante a Segunda Guerra, ou seja, era pouco vigiadas.
A detonação da Little Boy, como era chamada a bomba que causou a morte de mais de 250 mil pessoas em Hiroshima, foi ouvida até o alcance das cidades vizinhas. Ela destruiu tudo o que encontrava num raio de dois quilômetros e meio, devastando vegetação e estrutura da cidade. Porém, o aporte térmico da bomba teve um alcance ainda maior. A detonação da Fat Man sobre Nagasaki causou tanta destruição quanto em Hiroshima.
Sobreviventes que sofreram fortes queimaduras devidas á propagação do intenso calor, fora da área de explosão, andavam pelas ruas sem saber o que havia acontecido. A radioatividade se espalhou provocando chuvas ácidas, causando a contaminação da região, incluindo lagos, rios, plantações. Os sobreviventes foram atendidos dias depois, o que ocasionou a morte lenta e agonizante de muitos. Até os dias de hoje os descendentes dos habitantes afetados sofrem os efeitos da radioatividade.
Tempos depois a cidade foi sendo reconstruída. Após mais de 60 anos decorridos da tragédia que marcou a história mundial, Hiroshima se transformou numa cidade moderna e desenvolvida, com árvores, prédios, pessoas circulando e carros, como em qualquer outra. Contudo, as lembranças continuam vivas dentro de cada um. Sendo assim foi construído o Memorial da Paz de Hiroshima, uma das atrações mais visitadas no Japão, servindo de apelo à paz e um acervo cultural.

Fonte
http://adluna.sites.uol.com.br/400/419.htm

O Japão Assola o Oriente

O vitorioso ataque japonês à base americana de Pearl Harbor, em 7 de setembro de 1941, efetivamente eliminou, como pretendiam os japoneses, a ameaça de intervenção americana em suas operações no sudeste do Pacífico. Uma quantidade de outras operações simultâneas ao ataque a Pearl Harbor, deveria levar ao colapso extraordinariamente rápido da resistência ocidental no extremo oriente.

A primeira a cair foi Hong Kong, que tinha a fraqueza inerente de estar situada a apenas 650 km das bases aéreas japonesas em Formosa e a 2.600 km da base britânica em Cingapura. Hong Kong foi atacada do continente a 8 de dezembro por uma poderosa força japonesa, que, depois de vencer os obstáculos iniciais, desembarcou na extremidade nordeste da ilha e avançou para o sul, cortando as forças de defesa pelo meio. Dezoito dias após o início da operação, a guarnição de Hong Kong capitulou.

Ainda no mesmo dia do ataque a Pearl Harbor, aviões japoneses investiram contra uma base aérea americana em Luzon, a maior das ilhas da Filipinas. O ataque pegou os americanos desprevenidos, e uma considerável proporção do esquadrão americano em Luzon foi danificado ou destruído, dando aos Japoneses a superioridade aérea que muito contribuiria para a sua conquista das Filipinas. O comandante americano em Luzon era o General Douglas MacArthur, que dispunha de cerca de 110.000 soldados filipinos e por volta de 30.000 soldados de linha. Os primeiros, inadequadamente treinados, foram espalhados ao longo da costa da ilha, enquanto os demais estavam concentrados perto de Manila. Quando as primeiras tropas japonesas, comandadas pelo General Homma, desembarcaram em Luzon, tiveram pouca dificuldade de romper as defesas do exército filipino, e logo estava, se dirigindo para o interior, rumo a Manila. Nessa altura, MacArthur retirou seus homens para a península fortificada da Bataan, movimento esse que foi vitoriosamente efetuado em 6 de janeiro de 1942, apesar do incessante ataque aos americanos em retirada. A área ocupada pelas tropas de MacArthur atrás de suas defesas na península não eram mais que meros 80 km de terreno infestado de malária. Os americanos, isolados de qualquer reforço, resistiram bravamente, embora seus efetivos estivessem sendo dizimados pela febre. Os japoneses foram igualmente reduzidos pela malária, mas receberam reforços em março e gradualmente empurraram os defensores para a extremidade da península. A 9 de abril o comandante americano (na ausência de MacArthur) capitulou.

Então um violento ataque japonês foi desferido contra a ilha de Corregidor, a apenas 3 km de Bataan, cuja guarnição agüentou uma terrível fuzilaria por parte da aviação japonesa e pela artilharia sediada em Bataan. No começo de julho estava tudo acabado, e as forças remanescentes se renderam, deixando os japoneses como senhores do norte das Filipinas.

A quarta operação japonesa começou em 8 de dezembro de 1941 e consistiu em desembarques em três pontos da península malaia: Singora, Patani e Kora Bharu, seu objetivo era tomar a Malásia e a vital base naval de Cingapura, que simbolizava o conjunto da presença ocidental armada no oriente, nas mãos dos ingleses. Todos esses desembarques foram feitos na costa leste, mas enquanto uma força diversionária avançava pelo leste da península, a força principal movia-se para o interior e entrava na Malásia pelo lado oeste.

Nesse ponto o poder marítimo britânico no oriente recebeu um duro golpe, que deveria facilitar grandemente a conquista japonesa da Malásia e Cingapura. O moderno navio de guerra King George V, o Prince of Wales, acompanhado pelo antigo cruzador Repulse, navegava sob o comando do Almirante Phillips para interceptar transportes japoneses que haviam acabado de desembarcar em Kuantan, na península malaia, quando os dois navios foram atacados por um grande numero de bombardeiros e lança-torpedos japoneses. Na falta de cobertura de um porta-aviões de acompanhamento (pois não havia nenhum disponível no momento), os navios apenas puderam se defender com fogo antiaéreo e afundaram após duas horas de ininterrupto e preciso bombardeiro japonês. Sua destruição permitiu que o programa japonês de desembarques prosseguisse sem obstáculos e acelerou a queda da Malásia e Cingapura. Encontrando resistência mal organizada e apoiados por uma inquestionável superioridade aérea, os invasores, comandados pelo General Yamashita, conquistaram a Malásia em dois meses. A 31 de janeiro de 1942, o remanescente das forças britânicas na região cruzou o estreito para a ilha de Cingapura.

A defesa da ilha era dificultada pelo fato de sua base naval ter sido construída para resistir a ataques vindos do mar. Assim, quando os japoneses vieram pela porta dos fundos, desembarcando na ilha à força em 8 de fevereiro, foram rapidamente capazes de estabelecer uma base de operações. Embora numericamente inferiores aos defensores, os japoneses estavam mais bem liderados, mais bem treinados e mais bem apoiados pelo ar. Logo estavam empurrando os ingleses para o sul, e apesar das exortações de Churchill para que se lutasse até a morte pela honra do império, as forças britânicas, cerca de 60.000 homens no total, capitularam depois de uma semana, a 15 de fevereiro com Cingapura em chamas ao seu redor. Este foi um dos piores reveses jamais ocorridos na historia militar britânica.

A queda de Cingapura seria seguida de perto pela entrada dos japoneses em Rangum, a 8 de março, e pela subseqüente retirada britânica para a Índia, pela fronteira indo-birmanesa. A conquista da Birmânia representou a consumação dos objetivos estratégicos japoneses no cenário oriental: o estabelecimento de uma inexpugnável barreira de defesa indo das Filipinas à fronteira da Índia, atrás da qual poderiam prosseguir insensatamente na sua intenção de colocar a China sob controle Japonês. Além disso, podiam garantir os fornecimentos de petróleo de que o embargo americano os privara.

A conquista Birmânia foi realizada por uma força japonesa comparativamente menor. Começou na metade de dezembro de 1941. Com um avanço para o norte da Birmânia, partindo da Malásia e da Tailândia. As forças britânicas de defesa logo se puseram em retirada, e no começo de março, quando os japoneses se encontravam perto de Rangum, a passagem ocidental para a China, seu comandante, o General Sir Harold Alexander, resolveu não tentar defender a cidade. O objetivo era recuar e defender Mandalay, que ainda poderia dar aos ingleses um elo com a China através da estrada da Birmânia. Mas os japoneses avançaram, depois de receber pesados reforços de tropas e aviões e em pouco tempo ficou claro que Mandalay também não podia ser defendida.

Os ingleses então começaram um recuo de 320 km em direção da fronteira, e no começo de maio já se encontravam a salvo, do outro lado. O número de feridos ultrapassou de longe o de japoneses, embora a maioria se tenha salvado, mas a Birmânia, a Tailândia, a Malásia e Cingapura estavam firmemente nas mãos dos japoneses. A barreira de defesa estava completa - seis meses depois de Pearl Harbor - e a Inglaterra tinha perdido todo o seu sustentáculo no Oriente

Bibliografia
http://www.2guerra.com.br/sgm/index.php?option=com_content&task=view&id=21&Itemid=28

terça-feira, 6 de abril de 2010

Segunda Guerra Mundial (1939-1945)

Vários foram os motivos que influenciaram o início da Segunda Guerra Mundial que se iniciou na Europa e, rapidamente, espalhou-se pela África e Ásia. Um dos mais importantes  foi o surgimento, na década de 1930, na Europa, de governos totalitários com fortes objetivos militaristas e expansionistas. Como por exemplo, na Alemanha com o nazismo e a Itália o Fascismo.
Tanto a Itália quanto a Alemanha passavam por uma grave crise econômica no início da década de 1930, com milhões de cidadãos sem emprego. Uma das soluções tomadas pelos governos fascistas destes países foi a industrialização, principalmente na criação de indústrias de armamentos e equipamentos bélicos (aviões de guerra, navios, tanques, etc).
Na Ásia, o Japão também possuía fortes desejos de expandir seus domínios para territórios vizinhos e ilhas da região. Estes três países, com objetivos expansionistas, uniram-se e formaram o Eixo. Um acordo com fortes características militares e com planos de conquistas elaborados em comum.
O marco inicial ocorreu no ano de 1939, quando o exército alemão invadiu a Polônia. De imediato, a França e a Inglaterra declararam guerra à Alemanha. De acordo com a política de alianças militares existentes na época, formaram-se dois grupos : Aliados (liderados por Inglaterra, URSS, França e Estados Unidos) e Eixo (Alemanha, Itália e Japão ).
O período de 1939 a 1941 foi marcado por vitórias do Eixo, lideradas pelas forças armadas da Alemanha, que conquistou o Norte da França, Iugoslávia, Polônia, Ucrânia, Noruega e territórios no norte da África. O Japão anexou a Manchúria, enquanto a Itália conquistava a Albânia e territórios da Líbia.
Em 1941 o Japão ataca a base militar norte-americana de Pearl Harbor no Oceano Pacífico (Havaí). Após este fato, considerado uma traição pelos norte-americanos, os Estados Unidos entraram, de fato, no conflito ao lado das forças aliadas.
De 1941 a 1945 ocorreram às derrotas do Eixo, iniciadas com as perdas sofridas pelos alemães no rigoroso inverno russo. Neste período, ocorre uma regressão das forças do Eixo que sofrem derrotas seguidas. Com a entrada dos EUA, os aliados ganharam força nas frentes de batalhas.
Este importante e triste conflito terminou somente no ano de 1945 com a rendição da Alemanha e Itália. O Japão, último país a assinar o tratado de rendição, ainda sofreu mais...

Bibliografia:

http://www.suapesquisa.com/segundaguerra/

LINHA DO TEMPO - segundo a perspectiva Japonesa (produzida pelo grupo)


Japão e China se confrontam

Na noite de 7 de julho de 1937, tropas japonesas travaram luta com soldados chineses na localidade de Lukochiao, nos subúrbios da cidade de Peiping. Tal incidente foi imediatamente aproveitado pelos dirigentes militares japoneses para levar adiante seus planos de conquista da China. Sem delongas, tropas da Manchúria e do Japão penetraram pelas províncias do norte da China e intimaram as autoridades locais a submeterem-se. A intimidação fracassou e deu origem ao imediato reinício das hostilidades. Em 30 de julho, forças japonesas ocuparam Peiping e prosseguiram seu avanço na direção sul.

Para enfrentar a agressão japonesa, Chiang Kai-shek dispunha de um exército numericamente superior, porém carente quase por completo de armas modernas e de uma indústria bélica capaz de abastecer as tropas empenhadas na luta. Sua força aérea dispunha de menos de 500 aviões, na sua maioria antiquados, modelos de fabricação russa e americana. Assim, o exército japonês, perfeitamente treinado e equipado com armas modernas e tanques, conseguiu levar de roldão as forças chinesas que tentaram conter sua penetração. A aviação japonesa, provida de aviões de fabricação recente, entre os quais se destacava o veloz caça Zero, conseguiu facilmente conquistar a supremacia aérea nos céus da China e submeteu suas cidades a devastadores bombardeios.

O conflito estendeu-se rapidamente para o sul. Em 13 de agosto, forças do exército, da marinha e da aviação japonesa atacaram o porto de Xangai, principal centro industrial e comercial da China. Durante três meses, os exércitos de Chiang Kai-shek ofereceram encarniçada resistência, mas, finalmente, tiveram que retirar-se e a cidade caiu nas mãos dos japoneses. Ambos os lados sofreram pesadas perdas na luta.

Conquistada Xangai, as forças encaminharam-se ao longo do rio Yangtze, na direção de Nanquim, sede do governo nacionalista, superando com suas unidades blindadas a resistência desesperada das tropas chinesas. Esquadrilhas de bombardeiros e caças japoneses apoiavam constantemente o avanço das forças de terra e submeteram Nanquim a violentos ataques. Em 13 de dezembro de 1937, a cidade foi conquistada. Chiang Kai-shek, entretanto, já havia transferido a sede de seu governo para Chungking, cidade situada no interior do país. Ali conseguiu manter-se rechaçando os ataques japoneses até o fim...

Defrontados com inesperada e inflamada resistência por parte dos chineses, os japoneses resolveram acelerar suas manobras, a fim de dar rápido término à guerra. O objetivo seguinte foi o nó ferroviário de Hankow, cuja posse permitiria cortar definitivamente as comunicações entre o norte e o sul da China. Utilizando-se de uma força de cerca de 12 divisões, em junho de 1938 iniciaram o ataque a Hankow, deslocando-se pelas duas margens do Yangtze. Uma poderosa flotilha entrou simultaneamente pelas águas do rio, a fim de apoiar a ofensiva.

O comando japonês lançou suas forças sobre Hankow, em manobra de pinça. Uma coluna avançou pelo sul, mas foi rechaçada pelos chineses, sofrendo pesadas perdas. Ao norte do Yangtze, outras duas colunas abriram passagem na direção da cidade, sustentando violentos combates. Finalmente, depois de quatro meses de luta incessante, as tropas conseguiram quebrar a resistência chinesa. A 25 de outubro Hankow foi ocupada pelos japoneses. Quatro dias antes, Cantão, importante porto do sul da China, também caíra e todo o litoral chinês foi ocupado pelos japoneses.

Essas vitórias, contudo, não causaram desânimo na vontade de Chiang Kai-shek no prosseguimento da luta até o fim. Seus exércitos, entrincheirados nas agrestes regiões do interior, impediram as tentativas dos japoneses de penetração até Chungking. Além do mais, nas zonas ocupadas organizaram-se aceleradamente forças de guerrilhas, cujos ininterruptos ataques forçaram os japoneses a dividir seus exércitos, para manter o controle dos territórios conquistados. Então, a guerra entrou numa fase de estacionamento. O Japão conseguira ocupar as principais cidades e portos da China, mas não pôde obter uma vitória definitiva...

Em 1937, ao dar-se o ataque japonês, o governo chinês apelara para a Liga das Nações em busca de auxílio. Entretanto, esta perdera toda a sua capacidade de ação e limitara-se a redigir uma simples resolução, condenando a agressão japonesa. No mês de outubro, o Presidente Roosevelt, na cidade de Chicago, pronunciou um enérgico discurso, em que anunciou a possibilidade de iniciar-se uma ação coletiva para deter a política imperialista do Japão. Suas palavras, porém, não encontraram eco na opinião pública e nos meios parlamentares, decididos a manter o país à margem de qualquer conflito bélico.

Por iniciativa da Inglaterra e aprovação do governo de Washington, os países que assinaram em 1922 o tratado que garantia a independência da China, reuniram-se, no mês de novembro de 1937, em Bruxelas, para estudar uma fórmula de pôr fim na guerra sino-japonesa. De antemão, porém, a conferência estava condenada ao fracasso. Nenhum dos países estava disposto a arriscar-se numa intervenção armada contra o Japão e, também, não desejavam pressionar o governo chinês a estabelecer um armistício, que permitisse aos japoneses conservar alguma parte dos territórios conquistados.

A reunião chegou ao fim, sem que se adotasse qualquer mediada efetiva. Desta forma, perdeu-se a última oportunidade de pôr um freio à política agressiva do Japão, que culminaria com a eclosão da guerra no Pacífico em 1941.

Bibliografia
http://adluna.sites.uol.com.br/400/419.htm

O território da Manchúria é ocupado

Em princípios de 1931, os dirigentes militares japoneses propiciaram a adoção de uma política forte na Manchúria, a fim de impedir a crescente influência do governo nacionalista chinês de Chiang Kai-shek sobre o referido território. A Manchúria era governada por um ditador local, o Marechal Chang Hsueh-Liang, que se declarara partidário entusiasta da política de reconstrução nacional posta em prática por Chiang Kai-shek. Portanto, para os militares japoneses seria necessário atuar rapidamente, a fim de frustrar a referida política.

Um incidente serviu de pretexto para desencadear a agressão. Na noite de 18 de setembro de 1931 uma bomba explodiu na linha ferroviária japonesa, que corre entre Port Arthur e a cidade de Mukdem, capital da Manchúria. Imediatamente, as forças japonesas encarregadas da custódia da ferrovia lançaram-se ao ataque e ocuparam as principais cidades ao sul da Manchúria. Sem esperar ordens do governo de Tóquio, o General Hayashi, chefe dos exércitos japoneses na Coréia, cruzou a fronteira e converteu o incidente em conflito de grande escala.

Sem demora, o governo chinês apelou para a Liga das Nações, porém esta limitou-se a pedir aos contendores a cessação da luta e enviou uma comissão para investigar. A China declarou o boicote na importação de mercadorias japonesas, medida que não tardou a provocar reação armada dos japoneses. Em 28 de janeiro de 1932, uma força naval comandada pelo Almirante Shirosawa desembarcou no porto de Xangai tropas de infantaria da marinha que atacaram a vizinha cidade de Chapei. Começou, assim, encarniçada e sangrenta luta em torno de Xangai, que se prolongou até o fim do mês de março. Finalmente, por mediação da Inglaterra, os japoneses foram induzidos ao armistício e reembarcaram suas tropas. Enquanto isso, na Manchúria, os japoneses apoderaram-se da cidade de Chinchow, onde o Marechal Chang Hsueh Ling instalara a sede de seu governo, depois da ocupação de Mukden. A submissão da Manchúria ficou, assim, praticamente assegurada. Em 18 de fevereiro de 1932, os japoneses proclamaram a independência da Manchúria e mais tarde a denominaram Manchukuo e a convertem num estado títere, governado pelo imperador Pu Yi, último monarca da China.

O êxito da agressão japonesa na Manchúria provocou uma crise na ordem internacional instaurada ao término da Primeira Guerra Mundial pela paz de Versalhes. A Liga das Nações, depois de longas discussões, resolveu exigir do Japão a evacuação do território manchu e negou-se a reconhecer o Estado de Manchukuo; todavia, não assumiu nenhuma medida prática para garantir o cumprimento dessas resoluções. Dessa maneira, o Japão abandonou a Liga das Nações em março de 1933 e prosseguiu sem mudar sua política agressiva. Este precedente não demoraria a ser imitado por Hitler e Mussolini.

Em 1948,a Manchúria passou a fazer parte da República Popular da China e, em 1955, a China recebeu também as cidades de Port Arthur e Dairen, bem como o controlo do Transiberiano. A Manchúria acabaria por se tornar uma das principais zonas industrializadas do país.


Bibliografia
http://adluna.sites.uol.com.br/400/419.htm
http://www.infopedia.pt/$manchuria

Anos de crises

A disputa entre os EUA e o Japão pelo controle do oceano Pacífico começou quando este anexou, em 1914, os arquipélagos das Marshall, Marianas e Palaos, que estavam sob domínio alemão. Com medo do expansionismo Japonês, os Estado-unidenses reforçaram as defesas de suas bases nas ilhas do Havaí, Wake, Guam e Filipinas.

O governo dos Estados Unidos, visando frear a expansão americana, coloca em debate a Conferência Naval de Washington - assim chamada por ter sido celebrada em nesta cidade – que foi discutida de 12 de novembro de 1921 a 6 de fevereiro de 1922. Essa conferência, “produziu os primeiros grandes acordos internacionais de desamamente desde o Congresso de Viena em 1815 […] também marcou o surgimento dos EUA como importante ator diplomático, apesar de o país ter rejeitado o Tratado de Versalhes no fim da Primeira Guerra Mundial” ¹
Conferência Naval de Washington produziu três tratados importantes, são eles:

  •  “Tratado de Limitação Naval das Cinco Potências — assinado em 6 de fevereiro de 1922 por Estados Unidos, Reino Unido, Japão, França e Itália — restringiu os signatários a uma cota fixa de navios de guerra e cruzadores de guerra (navios capitais). […]
  • Pacto das Quatro Potências — assinado por Estados Unidos, Reino Unido, Japão e França em 13 de dezembro de 1921 —[…] O Pacto das Quatro Potências acabou com a Aliança Anglo-Japonesa de 1902 e criou esferas de interesse protegidas no Pacífico para cada um dos signatários. Os países prometeram resolver futuros conflitos por meio de arbitragem e não de guerra. […]
  • Pacto das Nove Potências - assinado por Estados Unidos, Reino Unido, Japão, França, Itália, China, Bélgica, Holanda e Portugal - em 6 de fevereiro de 1922. Esse tratado defendia os ‘princípios da Porta Aberta’ na China […] . As nove potências concordaram em respeitar a integridade territorial da China pós-imperial e em não agir para limitar o acesso à região. Cada signatário teria o direito de comercializar no vasto mercado chinês.”²
Como visto acima, os Estados Unidos conseguiram que a Inglaterra renunciasse a sua antiga aliança com o Japão, objetivando limitar a construção de navios de guerra. Com o acordo, o Japão só poderia ter força naval equivalente a três quintos das esquadras americana e inglesa. “Além disso, determinou-se suspender a construção de novas bases e fortificações nas possessões insulares do Pacífico. Os americanos, contudo, excetuaram dessas obrigações o arquipélago do Havaí, e os ingleses o porto de Cingapura. Estes dois pontos controlam, respectivamente, as saídas do tráfego marítimo japonês a este e oeste e foram posteriormente, transformados em poderosas bases navais e aéreas.”³

O Japão devolveu Shantung à China, porém negou-se peremptoriamente restituir Port Arthur e as concessões ferroviárias na Manchúria. O Pacto das Noves Potências, o último tratado da conferência de Washington, eliminou a posição privilegiada dos japoneses em relação a China, conseguida pelas 21 demandas de 1915.

“A reação dos núcleos militares e navais diante deste tratado, equivalente à renúncia do Japão a sua política de expansão, foi extremamente violenta e o Primeiro-Ministro Takahashi viu-se forçado a demitir-se. Começou, assim, o movimento de extremado nacionalismo, que não tardaria a adquirir rápido desenvolvimento.

A tremenda crise produzida em 1929 em todo o mundo, originada pela depressão econômica, teve catastróficos resultados no Japão. Inúmeras indústrias faliram e mais de 400.000 trabalhadores ficaram sem trabalho. Neste clima prosperou aceleradamente a difusão de ideologias direitistas inspiradas no fascismo, que atribuíram todos ao males aos políticos liberais e capitalistas à frente do governo. O exército, e principalmente a oficialidade jovem, converteu-se no maior baluarte do movimento.

A crise acentuou-se com a conferência celebrada em Londres em 1930, sobre o problema dos armamentos navais. O Japão pediu o estabelecimento de paridade entre sua frota e as dos Estados Unidos e Inglaterra, mas seu pedido foi negado. Esta “humilhação” desenvolveu uma nova onda de violência e aumentou o poderio dos nacionalistas. O Primeiro-Ministro Hamaguchi foi vítima de atentado e ficou gravemente ferido.”4

¹ disponível em: ttp://www.terrorismo.embaixadaamericana.org.br/HTML/ijse0210p/suri.htm

²IDEM

³ http://adluna.sites.uol.com.br/400/419.htm

4 IDEM



Bibliografia:

http://www.terrorismo.embaixadaamericana.org.br/HTML/ijse0210p/suri.htm
http://adluna.sites.uol.com.br/400/419.htm
http://www.aticaeducacional.com.br/htdocs/secoes/atual_geop.aspx?cod=598

segunda-feira, 15 de março de 2010

Extremo Oriente (1920 - 1929)

Às 11 horas e 58 minutos do dia primeiro de setembro de 1923, um terremoto horrível sacudiu toda a região de Kanto. Esta catástrofe, além de ser uma das maiores já havidas no Japão, foi um acontecimento muitíssimo importante para o capitalismo nipônico.
O terremoto atingiu uma área muito vasta, abrangendo a cidade de Tokyo, e as províncias de Kanagawa, Chiba, Saitama, Shizuoka, Yamanashi e lbaragui, deixando muitas vitimas e danos, casas foram completamente incendiadas, destruídas e carregadas pelas águas. Os prejuízos foram avaliados em 6 bilhões e 500 milhões de yens.
Em 1920, o Japão já havia entrado na segunda crise econôminomica, após a Primeira Guerra Mundial. Com o pânico econômico ocorrido em 1922, o capitalismo chegou à beira de um perigo fatal. Nesse ínterim, veio o terremoto que, por sua vez, acabou de arrasar com aquela situação econômica já decadente do pais. O desastre explodiu com o processo do capitalismo nacional, que se encontrava exatamente dentro da sua própria contradição.
Para restabelecer as indústrias e o comércio danificados, o governo decretou uma lei de emergência e concedeu empréstimos para socorrê-los. No ano seguinte, o governo pediu empréstimos aos Estados Unidos e à Inglaterra, que os concederam, exigindo o pagamento de juros muito alto. Essas condições foram aceitas pelo Japão, mas afetaram sensivelmente o crédito financeiro do governo nipônico perante as outras nações.
O terremoto de Kanto causou também, internamente, muitas agitações sociais. Em meio a essa calamidade pública, espalharam-se boatos de que os coreanos residentes no Japão estavam se preparando para uma revolta geral. Este boato provinha do movimento político que estava acontecendo na Coréia. Contudo, isso causou a morte de muitos cidadãos coreanos, em vários locais do Japão. Também dentro daquela confusão, deu-se a perseguição de líderes trabalhistas e socialistas, muitos dos quais foram presos e alguns, fuzilados pela policia militar.
O terremoto trouxe o desemprego para muitos. Só em Tokyo contavam-se aproximadamente mais de 96 mil desempregados. Isso, evidentemente, criou a união dos operários e a formação de sindicatos de trabalhadores para a sua defesa mútua. Assim, começaram-se as lutas da classe operária contra a dos empregadores: os capitalistas.
Enquanto isso se passava, a sociedade apresentava um aspecto estranho: uma atmosfera de decadência extrema envolvia o povo desesperado. A incerteza do dia de amanhã fez popularizar a dança e as canções de temas decadentes e sem vitalidade. O povo já havia perdido a esperança e, por isso, delirava em busca de prazeres momentâneos, procurando fugir da realidade cruel.
Após a Primeira Guerra Mundial, o capitalismo internacional esteve momentaneamente em situação estável. Mas, como havia muitas contradições dentro do próprio sistema, já que sua base ainda não se achava consolidada, surgiu logo o desequilíbrio econômico causador do pânico mundial de 1929, que teve início com a queda brusca da Bolsa de Valores de Nova York.
Naquela época, o Japão ainda não estava restabelecido das crises anteriores, e como seu sistema econômico financeiro era o capitalismo, ligado ao internacional, não pôde escapar daquela crise que abalou o mundo inteiro, e foi tragado pelo pânico de Walls Street, de Nova York.
O governo japonês procurou reorganizar a economia nacional, baseando a moeda corrente no valor do tesouro real (ouro), porém todo seu esforço foi inútil, porque o maior comprador dos produtos nipônicos eram os Estados Unidos, que estavam mergulhados na mais grave crise de sua história. Portanto, a Bolsa de Valores do Japão também sofreu grande queda, que chegou a atingir uma baixa de mais de 30%. Evidentemente, o preço dos produtos caiu, trazendo grande confusão no comércio interno e externo, que forçou a diminuição da produção pelos fabricantes. Com essa alteração, muitos produtores de média e pequena escala foram à falência.
O pânico de 1929 veio determinar a característica do capitalismo japonês: o monopólio. Este fenômeno surgiu com o desaparecimento dos médios e pequenos capitais, que foram à falência, ou foram incorporados aos grandes capitalistas, denominados “ai-batsu”.
Enquanto isso se passava, o governo imperial estava desesperado, à procura de uma medida para amenizar a crise econômica da nação. As indústrias foram obrigadas a racionalizar seu sistema de produção. Procuravam baixar o preço de custo para manter a monopolização dos preços no mercado. Essa operação foi feita mediante a minoração dos salários e a prorrogação das horas de trabalho. Isso, evidentemente, sacrificou a classe operária, pois a estes males juntou-se o do aumento do número de desempregados
Nesse período a china começou a sediar, o que seria a mais longa guerra civil daquele século: a Guerra Civil entre nacionalistas e comunistas.
Iniciado o conflito em algumas cidades do sul da China em 1927, culminou numa guerra generalizada na qual milhões de homens participaram, durando no seu total vinte e dois anos. Esta guerra civil pode ser classificada em três grandes períodos: o primeiro deles vai de 1927 a 1930, o segundo deu-se entre os anos de 1930 a 1937 e o último período ocorreu ao término da Segunda Guerra Mundial. Todas as três fases dessa guerra serão explicadas à medida que fomos escrevendo sobre esses períodos.
No período de 1925 a 1927 o nacionalismo chinês, que havia se tornado hostil com potências externas, proibiu o acesso de navios ingleses aos portos do Sul da China. Esse fato teve grande repercussão no comércio de Hong-Kong, que ficou seriamente comprometido.
Já na Mongolia, em 1920, forças soviéticas, auxiliadas pelos nacionalistas mongóis, ocuparam o país e no ano seguinte um tratado soviético-mongol reconheceu a independência da Mongólia Exterior, que em 1924 proclamou-se República Popular da Mongólia

Bibliográfia:

http://educaterra.terra.com.br/voltaire/mundo/china.htmn
http://angelopapim.sites.uol.com.br/quadro_showa.htm
http://www.google.com.br/search?q=coreia+historia&hl=pt-BR&rlz=1T4ADFA_pt-BRBR361BR361&tbs=tl:1&tbo=u&ei=KyyeS92OLcO88gaSweW6Cg&sa=X&oi=timeline_result&ct=title&resnum=11&ved=0CDQQ5wIwCg
http://www.tiosam.net/enciclopedia/?q=História_de_Taiwan

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Extremo Oriente (1910-1919)

A década de 1910 foi um período marcado por grandes fatos históricos tanto no extremo oriente como no âmbito mundial. Nesse período o cometa Halley fez sua aparição (1910), houve a revolução chinesa (1911), a Mona Lisa foi roubada (1911), o Titanic afundou (1912), a Primeira Guerra Mundial começou e terminou (1914-1918), houve a revolução Russa (1917), a pandemia da gripe espanhola (1918), a assinatura do tratado de Versalhes (1919), entre outros acontecimentos.
Já em 1910 as coisas começam a esquentar no extremo oriente quando o Japão anexa a Coréia a seu território após uma guerra prolongada em que derrota chineses e russos. A dominação japonesa é marcada pela brutalidade, com esforços para suprimir a língua e a cultura coreana. Nessa época, o Japão também dominava Taiwan, país que lhe havia sido cedido desde 1895 pelos Chineses após a derrota na Primeira Guerra Sino-Japonesa.
Em 1919, a China se encontrava entrecortada por regiões dominadas pelas grandes nações imperialistas e o povo chinês estava totalmente submisso a essas nações. Para se ter uma idéia, nas praças públicas das cidades chinesas, os ocidentais colocavam cartazes onde se lia: “É proibida a entrada de cães e de chineses no jardim”. Além disso, as nações imperialistas contavam com o apoio do imperador chinês da dinastia Manchu, que dominavam o país desde o século XVII.
Devido a essa atmosfera marcada por privilégios e humilhações muitos chineses se organizaram e começaram a defender um movimento de natureza nacionalista que culminou na revolução chinesa. Os Boxers, membros de uma sociedade secreta que praticava o boxe sagrado, iniciaram essa revolta nacional contra os estrangeiros, mas acabaram massacrados pelos exércitos das potências ocidentais que haviam se unido contra eles. Os Boxers foram vencidos porém, a semente estava lançada. Aos poucos as camadas populares foram se engajando na luta pela democracia. Finalmente em 1911, o antigo império chinês desabou. A revolta que pôs fim à monarquia chinesa foi liderada por Sun Yat-sen , nomeado então presidente da República recém-proclamada. Sun Yat-sen, juntou-se com seus seguidores e fundou o Kuomintag , Partido Nacional do Povo.
Mesmo com essa conquista e o enfraquecimento dos imperialistas após a Primeira Guerra Mundial, a China continuava não resistindo ao interesse dos estrangeiros, principalmente dos japoneses e britânicos. Com isso, os membros do Kuomintang tiveram de enfrentar a insatisfação dos chefes militares e do Partido Comunista Chinês, então criado sob a influência da Revolução Russa.
Hong Kong, nessa época, serviu de refúgio político para muitas pessoas que se opuseram a instalação do novo regime. Após a afirmação do nacionalismo chinês a relação entre esses dois países mostrou-se hostil.
A revolução chinesa trouxe conseqüências, também, para a Mongólia. Esse país estava sobre poderio da China desde a dinastia Yuan – uma linhagem de imperadores Mongóis que comandaram a China – pois quando os Yuan foram depostos pelos Ming, em 1268, a Mongólia não obteve sua independência e seu território permaneceu controlado pelos chineses até a revolução supracitada.
Com o desenvolvimento do capitalismo nos principais países acidentais, deu-se a competição na busca de matérias primas e na conquista de mercados internacionais, para a colocação de seus produtos. Naquela ocasião, destacou-se a Alemanha que, embora tivesse alcançado o seu desenvolvimento industrial após as outras nações poderosas, avançou também na conquista de mercados, cujo dinamismo logo veio causar conflitos com a Inglaterra e a Rússia. Estas duas potências, perante aquela situação, procuraram convidar também a França para firmar um contrato de comércio e fazer frente à Alemanha. Também esta não perdeu tempo e se aliou com a Áustria e a Itália para resistir à pressão dos adversários. A rivalidade entre aqueles países veio motivar conflitos dos Bálcãs e, em 1914 fez explodir a Primeira Guerra Mundial. Como o Japão tinha, naquela ocasião, um contrato assinado com a Inglaterra, também foi obrigado a participar da guerra contra os germanos e seus aliados e, naquela manobra, conquistou as concessões orientais da Alemanha.
O Japão que vinha há muitos anos, criando choques com a China, acabou por fim, durante a Primeira Grande Guerra, impondo algumas condições ao seu vizinho para o explorar.
O século XX descortinou-se com as divergências dos países imperialistas. Essas divergências tornaram-se mais graves, com a formação de duas potências rivais: de um lado, a Inglaterra, a França e a Rússia, que se uniram por intermédio de um tratado comercial e, de outro, a Alemanha, a Áustria e a Itália, unidas mediante uma aliança.
Em breve, as potências se envolveram nos problemas do povo eslavo, aumentando a tensão política da Europa. Essas rivalidades terminaram levando o mundo a uma guerra catastrófica, em 1914, iniciada com o assassinato do príncipe austríaco.
Com o desenvolvimento do parque industrial, a produção apresentou, sem demora, um aumento inesperado. O progresso verificou-se principalmente nas indústrias têxteis, nas indústrias pesadas e na metalúrgica. Com base nessas indústrias e com o desenvolvimento da marinha mercante, expandiu-se também a da construção naval e a indústria automobilística. Evidentemente, esse progresso trouxe também maior exploração de energia elétrica.
O Japão, sob o pretexto da existência de uma aliança com a Inglaterra, entrou também na guerra a favor dos Aliados. Com isso, o Império nipônico ocupou a concessão germânica da China, Chin-Tao e, com sua força naval, tomou as ilhas Marshall e Carolinas, na Oceania, antes pertencentes à Alemanha. A esquadra japonesa chegou a avançar até o Oceano indico e o Mar Mediterrâneo. Desta forma, enquanto os europeus e americanos travavam lutas desesperadoras, o Japão conseguiu expandir-se na Ásia e Oceania.
A vitória sobre a China e a Rússia, nas batalhas do período de.Meiji demonstrou que o Japão havia se transformado num pais eminentemente imperialista. Esse desejo de expansão territorial era fruto de uma necessidade criada pelo sistema capitalista nipônico, que havia entrado na segunda fase do seu desenvolvimento: a do monopólio.
Após essa vitória, o plano político de expansão territorial ganhou impulso e entusiasmo, graças à iniciativa militar. Dessa maneira, a política exterior japonesa passou a ser mais agressiva e acabou por tomar um caráter todo especial.
O setor econômico do Japão estava, nos fins do período de Meiji e no inicio da era Taisho, numa situação de estagnação e apresentava visíveis sintomas de declínio, principalmente em 1913, pois o país se achava em crise. Todavia, estourou a Primeira Guerra Mundial. Esta livrou o capitalismo nipônico de uma crise arrasadora. O Japão participou da guerra e, sem sofrer qualquer dano considerável, lucrou e equilibrou-se economicamente, consolidando a base do capitalismo que, até então, se achava instável. A procura de produtos japoneses pelos países que estavam participando diretamente da guerra era grande e trouxe progresso para as indústrias e incrementou a exportação.
Outro fator que impulsionou o desenvolvimento industrial foi que alguns produtos, de que o Japão necessitava e, que eram importados, como os produtos químico-industriais, passaram a ser fabricados lá mesmo, pois as nações fornecedoras estavam por demais preocupadas com a guerra.
A Primeira Guerra Mundial trouxe para a economia do Japão um progresso inédito e elevou o país ao plano internacional. Porém, terminada a guerra, nova crise veio ameaçar o capitalismo nipônico, embora este já estivesse bem consolidado.
Além do parque industrial, também a navegação mercantil foi diretamente atingida pela crise de 1918, porque não havia necessidade de transporte, pois os produtos industriais não mais eram procurados pelos outros países. Conseqüentemente, os produtos sofreram uma queda brusca nos preços e, ao mesmo tempo, a Bolsa de Valores ficou em situação difícil. O pânico sacudiu a nação que, até então, se deliciava com os lucros vultosos pro vindos da hostilidade européia. Mas, como por milagre, o pânico foi logo amenizado, graças às rotas de exportação abertas durante a guerra e à evolução do capitalismo, que soube encontrar uma saída para aquele impasse.
Os conhecidos “motins do arroz”, que marcaram época na história da manifestação popular do Japão, aconteceram durante essa crise, O incidente foi motivado pela alta brusca do preço do arroz, gênero alimentício de primeira necessidade para o povo japonês. Primeiramente, um grupo de donas de casa, familiares de humildes pescadores da província de Toyama, manifestaram-se em motim contra aquela carestia imprevista e o desvio do produto para uma outra região. A noticia dessa rebelião foi logo espalhada e serviu de exemplo, pois criou uma revolta do povo em todo o território. A massa, delirante com a força da opinião pública, começou a atacar os armazéns e depósitos e a saquear o arroz, precioso alimento, que estava sendo colocado longe do alcance de muitos. Aquele conflito obrigou à mobilização do exército, que logo restabeleceu a ordem no país, mas, o acontecimento foi fatal para o Gabinete de Terauchi, que foi obrigado a dissolvê-lo e a entregar a administração do país a outros.
Aquele incidente que foi motivado por um simples protesto de um grupo de donas de casa acabou repercutindo como uma manifestação geral do povo. Tornou-se um acontecimento importante porque o caso veio estimular, com o reconhecimento da força da opinião pública, os movimentos de sindicatos de trabalhadores e, ao mesmo tempo, despertar o interesse geral pela crítica contra um governo incapaz de dirigir a nação e zelar pelo conforto do povo.


Bibliografia
http://www.suapesquisa.com/paises/china/hong_kong.htm
http://www.infoplease.com/ipa/A0107796.html
http://www.brasilescola.com/historiag/revolucao-chinesa.htm
http://history1900s.about.com/od/timelines/tp/1910timeline.htm
http://www.cao.pt/hist1910.htm
http://historia3ano.blogspot.com/2008/04/15-esquema-de-aula-nova-ordem.html
http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/primeira-guerra-mundial/primeira-guerra-mundial-2.php
http://angelopapim.sites.uol.com.br/quadro_taisho.htm